domingo, 6 de novembro de 2011

Epifania

Se eu morresse hoje, saberia definir exactamente os melhores momentos da minha vida. Podemos não nos aperceber na altura ou nunca sequer chegar a entender, mas há coisas absolutamente perfeitas entre nós e não podemos desejar melhor, porque não há nada melhor. Um dia, mais tarde ou mais cedo, acabamos por entender que as coisas melhores da vida são as mais simples, vividas e partilhadas com as pessoas que amamos. São esses os momentos verdadeiros da nossa passagem por este mundo, aqueles em que nos esquecemos de tudo o que nos cega e quando os outros nos vêem como somos na realidade. É por causa dos minutos ou horas desses dias que passamos meses e anos e décadas, a sofrer, a lutar para não nos afogarmos, a penar para nos mantermos à superfície num mar que é feito de injustiça, dor, ódio e incompreensão.

Não foi em vão, por todos os momentos de felicidade durante todos aqueles anos e apesar de todo o sofrimento que hoje entra dentro de mim a cada pedaço de ar que inspiro, não me arrependo de te ter escolhido. Sei que cometi muitos erros e daria tudo para voltar atrás, emendar as palavras dolorosas e os actos egoístas, preencher as minhas faltas e recuperar os momentos perdidos. No entanto, não me vou recriminar e não vou voltar a ser vítima das circunstâncias ou das pessoas mal intencionadas. Tento não pensar nas razões e nos porquês, não quero viver de memórias nem depender do passado, mas mesmo depois de tudo o que aprendi, o vazio que deixaste dentro de mim continua grande demais, não está a ficar melhor com o tempo. Tenho subido e descido montanhas, dia após dia, lutado com forças que não julgava ter, noite após noite, a fazer de tudo para tirar da cabeça que estás com outro.

Não há ninguém no mundo que te conheça ou compreenda como eu, que saiba todos os segredos da tua alma, que conheça todos os teus defeitos e ame religiosamente cada um deles. Não sei como será o futuro, até porque não há nada que eu possa dizer ou fazer que te faça mudar de opinião, mas nunca tive tanta certeza do presente como agora: és a minha vida, a alegria dos meus sentidos e a paz da minha alma. Enquanto espero o meu regresso a casa, fecho os olhos com muita força para estarmos novamente perto, às vezes com tanta força que espero nunca mais acordar e assim permanecermos para sempre. Para já, os únicos momentos que importam na minha vida são os breves instantes em que estivemos outra vez os três juntos em casa há alguns dias atrás. Posso sempre ter mais cinco segundos para a semana, ou na semana seguinte. E durante esses cinco segundos vou ser novamente feliz porque não há sítio no mundo onde eu prefira estar.