sábado, 26 de fevereiro de 2011

O primeiro dia do resto da minha vida

Lembro-me como se fosse hoje o primeiro dia do resto da minha vida. Foi o primeiro dia em que me senti realmente vivo, quebrei as correntes de sofrimento a que estava preso há tanto tempo e, pela primeira e única vez, dei a mim próprio a possibilidade de ser feliz.

Éramos os dois tão novos, tão inocentes, a precisar de crescer em tantos lados, mas tão felizes, a olhar para o mundo de olhos bem abertos. Principalmente a olhar com amor um para o outro, sem nos apercebermos de todo o ódio e preconceito que sempre existiu à nossa volta. Sem sabermos que o rancor e a raiva dos outros haveriam de um dia prevalecer em nós.

Sei que não sou perfeito. Cada dia fui conhecendo mais as minhas imperfeições e, por mais que tentasse, nunca as poderia esconder de ti. Houve uma altura em que pensei que tudo seria tão simples como compreenderes e me aceitares tal como sou. Mas com o tempo descobri que te magoei vezes demais, sem teres culpa. Gostava de poder apagar toda a dor que causei e limpar as tuas lágrimas, mas só quero que saibas que hoje ainda continuo a tentar aprender.

Mas não me arrependo, nem por um segundo: contigo descobri uma razão para viver e lutar mais um bocado para ser feliz, para todas as noites sem dormir em que tentei descobrir um sentido para a vida. Sempre soube que não poderias ser tu a percorrer o caminho por mim e fazer as escolhas acertadas, mas contigo pelo menos havia uma razão para percorrer o caminho. E foste tu a razão para eu querer ser uma pessoa melhor e, sobretudo, para começar de novo naquele primeiro dia do resto da minha vida.