quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Uma gota de chuva

Ela era Graça, em nome e essência. Para os que amava, espalhava força, vida, riso e luz. E para mim espelhava também mágoa. Desde o primeiro dia que a vi, nada nem ninguém que me aconteceu foi tão assustador e confuso, porque não há ninguém que me tenha dado tanta segurança, mas fragilidade, ninguém que me tenha feito sentir tão importante, mas insignificante.

Conheci-a num jantar de amigos, na serenidade e calor da sua casa. Desde o primeiro instante, não consegui deixar de me levar pela luz que ela naturalmente irradiava. Para mim, foi o farol que me guiou e protegeu nos piores momentos de fraqueza e desorientação. Essa noite foi o primeiro dia do resto da minha vida. Foi aí que parei de me procurar, porque o mundo em que eu acreditava sem saber porquê começou a fazer sentido e até os problemas mais inquietantes se dissolveram numa harmonia que eu não julgava possível existir. Mas foi também numa noite como essa que renasci para depois morrer.

As circunstâncias da vida foram mais fortes do que as nossas vontades juntas. Alguns diriam que o que aconteceu foi uma desgraça ou um desperdício. Eu prefiro contar uma história de amor que não se concretizou, de uma gota de chuva que não caiu em cima de nenhuma flor mas de uma pedra seca, que para sempre ficou agradecida.