segunda-feira, 5 de julho de 2010

Vem comigo

Vem comigo, anda comprar dois bilhetes só de ida para o comboio sem destino, onde a amizade e o amor são verdadeiros, a juventude é eterna, não há doenças, está sempre bom tempo e nunca temos frio ou fome. Ouvi dizer que lá as conversas terminam sempre com um sorriso sincero e não existe o ódio ou o sofrimento. Vem viver o final das histórias dos livros onde tudo acaba bem, como as memórias daquele passado que nunca vivemos.

Vem comigo e deixa de estar na escuridão, ou deixa-me estar contigo na tua escuridão, vem como és, como sempre foste, como eu sempre esperei que fosses, desta vez sem promessas e juras eternas, sem mentiras e canções em playback. Vem andar de bicicleta, mesmo que não saibas e tenhas medo de cair, vem nadar comigo, mesmo que tenhas medo de te afogar, coloca a tua vida nas minhas mãos e confia que não vou deixar que nenhum mal te aconteça.

Vem comigo, ou então deixa-me estar na solidão, longe da tua ambição claustrofóbica, dos fantasmas que te perseguem, das vozes esquizofrénicas que me obrigaste a ouvir durante todos estes anos. A verdade é que tenho medo de ficar sozinho, mas mais medo ainda que venhas comigo. Nunca me protegeste de nada, nem mesmo de mim mesmo. Para onde eu quero ir não há portas, nem janelas, mas também não há paredes. Talvez encontre o que procure, ou talvez fique apenas sentado à espera que venhas comigo.