sábado, 13 de dezembro de 2008

A praia

Caminho lentamente na minha praia favorita. O sol aquece, o mar arrefece, a solidão aperta. Ando mil quilómetros e vou carimbando a marca dos meus pés da areia. O nevoeiro salgado da manhã traz-me os sabores exóticos do além-mar. Na linha do horizonte escondem-se segredos fantásticos, tesouros perdidos de piratas sanguinários, monstros marinhos prontos a serem derrotados por lanças heróicas, naus conquistadoras de terras misteriosas e seres demasiado imaginários para serem fantasia.

Sento-me nas rochas. A brisa fresca percorre a minha cara nua e inunda-me o corpo com um arrepio húmido. As ondas compõem o som da eternidade sobre a areia molhada, deslizam devagar, dançam melancolicamente entre si. Surge um rebentamento, depois outro, num violento movimento que não pára e em cada choque há pequenas pedras projectadas para junto de mim. Finalmente arrependidas, as ondas voltam a casa, felizes por sentirem o doce aconchego do mar. E eu quase juro ver sereias a nadar na quietude do amanhecer, sem ninguém que compreenda a sua existência, guiardiãs nocturnas da paz marítima, merecedoras de descanso depois de mais uma noite calma.

Descalço pela areia fina, percorro as minúsculas marcas das gaivotas. Atrás de mim, coladas à ponta dos calcanhares, perseguem-me pegadas fundas e frias, penetrando na areia com o som furioso de golpes de faca. Por mais que ande depressa, por mais que corra, perseguem-me até chegar junto da àgua. Molho os pés e desaparecem, tudo se esvanece. Acordo. Gelado, a tremer de frio, volto à civilização dos homens, longe das aventuras temerárias, dos mapas de tesouro, das caravelas destemidas e de toda a hipótese da vida vir a fazer sentido.

19 comentários:

O "Sábio" Niestévisky disse...

Lindo texto, gostei muito. Parabéns.

blog disse...

Há muito de Romantismo (na acepção literal do termo) e isso não desmerece o texto. Gostei da gramática. Nesses tempos de desvios absurdos, vc encara bem a língua. De frente, sem medo.

Só achei que o texto é adjetivado demais. Bem, o uso de adjetivos não é algo que prejudique o texto, mas, para mim - e isso é apenas uma opinião! -, a narrativa mais seca conta mais.
Mas o texto vale a leitura. És lusitano?

blog disse...

Blog é "Ipsis Litteris", ok?

André disse...

interessante. a leitura é boa mas divaga demais entre a incerteza e a logica. abraços
www.blogdaincerteza.blogspot.com

Marcio Santos disse...

texto com ponta de romantismo,
mto legal
atualize sempre!



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Jovens Tolos... disse...

O texto está lindo, tem umas pontas de romantismo nele.

Anónimo disse...

ehehe,

isto agora é tudo lindo :)

z

Hailton Junior disse...

muito bom...
(sem palavras...

Dário Souza disse...

Pow tava tao lindo,que chega deu raiva quando ele acordou

jcdigital disse...

não curto muito esse tipo de texto, mas legal.


;D

Danilo Cruz disse...

Bom texto, bom blog :)

Kaique S. T. disse...

Texto bem escrito com grande alusão as sensações... acho q dá pro leitor entender bem o q foi narrado.

Visitarei mais vezes...

http://imparidade.blogspot.com/

greatdj disse...

Ótimo texto.
Legal o modo como o narrador interage com a natureza e como ela completa os seus sentimentos.

Rafael Iglesias disse...

Muito bom o texto, com toque de romance e com ritmo de poema... muito bom.

mateusbonez disse...

UAU, adorei *-*
Bom blog ;D

http://tiomah.blogspot.com/

Ms. Molly Bloom disse...

lindo de morrer.
escreva sempre. romantismno, lindo

Gabriel Sioli disse...

Cara,
adorei seu texto.
Ótimo, bem servido de detalhes, com o requinte da boa escrita.
Você está de parabéns...

Visitarei mais vezes, tenha certeza!
Abraço!

fada safada disse...

Olá.
Que delícia desfrutar da caminhada sem preocupar-se com faz sentido ou não.
Parabéns pelo lindo texto.
Boas Festas!

Fada from Brasil
http://fadasafada.blogspot.com/

Dário Souza disse...

muito bom!!!